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Oi, chamo-me Ana e tenho 21 anos. Estou a frequentar o 4º ano de Licenciatura em Ensino da Matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).. Vou falar-vos um pouco de mim... |
"Partilhar v.t. dividir em várias partes./ Possuir com outros./ Fig. Participar./ Ter em comum."
Dicionário Enciclopédico Koogan.Larrousse.Selecções
Léxico Comum
A minha escolha em ser professora de Matemática não foi nada fácil, mas está muito relacionada com o conceito acima.
Matemática foi uma das poucas (para não dizer a única), disciplina que realmente eu gostava, no Secundário.
Resolver um exercício era como aceitar um desafio com regras próprias e, confirmar o resultado deixava um sabor de vitória na minha boca enquanto nos meus ouvidos suava um tímido "Parabéns, conseguiste!"... |
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Deves achar que estou a exagerar...Mas, na verdade eu sentia tudo isto!...
E não, não sou doida...Só tive professores que "olhavam" para a matemática da mesma maneira e contagiaram-me com o seu entusiasmo. Depois, vieram outros, nos quais não existia o "tal" brilho nos olhos, mas nessa altura eu já estava apaixonada... E a Matemática consegue ser mesmo irresistível!...
Gostar de Matemática é como andar contra o vento. Esforçamo-nos um pouco mais mas, quando sentimos a brisa a tocar-nos a cara e a esvoaçar os nossos cabelos, sabemos que valeu a pena!
A partir daqui, ser professa foi um "pulinho".
Eu gostava de Matemática. Eu sabia Matemática. E eu "transbordava " Matemática. E como pessoa egoísta que não sou, eu tinha que partilhar esse "bem".
E aqui entra o conceito. Não no sentido de dividir porque a matemática não se pode separar, tudo está relacionado com tudo. É como uma rede de pesca. Claro que podemos fazer uma mini-rede, mas dificilmente apanharemos algum peixe!
Sim, é possuir com outros porque vou ensinar algo que eu sei, e os meus alunos vão ter algo de mim. Quero que eles sintam o mesmo prazer, que eles reconheçam o mesmo brilho nos meus olhos.
Sim, é participar, porque nos sentimos um pequeno elo de uma gigantesca corrente e sabemos que somos tão importantes quanto todos os outros elos. Sem nós, a corrente não teria qualquer valor. É como se estivéssemos a perpetuar algo, a dar-lhe sentido, utilidade.
E sim, também é ter em comum, porque se no final de cada ano lectivo eu olhar para os meus alunos e souber que eles aprenderam algo comigo, que temos algo em comum, seria como dar côr a um maravilhoso quadro a preto-e-branco.
Parece-te um sonho?... Para mim, é.
Eu sei que vou "bater muitas vezes com a cabeça na parede", vou ter muitas decepções e desiludir-me mil vezes com tudo, e todos, mas...Tudo isto faz parte de viver!...
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Não me digas que és daqueles que acha que viver é ser radical, sentir a adrenalina a percorrer o sangue?!... |
O.K. Fazes buggie-jumping e sentes tudo isso em 10 seg, 15 vá lá. Mas o que fazes com as 23h 59m 45seg do resto do teu dia?
Se não tivermos um objectivo e não lutarmos por ele com a mesma paixão com que uma criança chora ao nascer então... Não vivemos. Só sobrevivemos.