Quando falamos de Probabilidades existem algumas definições que é necessário ter presente. Sobre essas definições desenvolve-se toda a teoria das Probabilidades . Além destas, todos os conhecimentos na área da Combinatória, podem ser aplicados no estudo das Probabilidades.

Vamos, então, começar por estabelecer quando é que devemos usar as Probabilidades. No sentido corrente do termo, dizemos : "É provável que amanhã vá ao cinema" ou "Tenho pouca probabilidade de ganhar o totoloto ".

Em ambos os casos estamos a fazer previsões futuras sobre acontecimentos que, na realidade, não podemos prever. O que sabemos são, apenas, todas as hipóteses possíveis para esses acontecimentos, isto é sabemos que podemos ou não ir ao cinema, que podemos acertar em todos os números da chave do totoloto, em nenhum ou em alguns, mas não temos nenhuma garantia sobre o que vai acontecer.

Estas situações ( experiências ) dizemos que são aleatórias.

 

Experiência Aleatória :

Dizemos que uma experiência é aleatória se verificar três propriedades :

  1. Conhecemos todos os seus possíveis resultados.
  2. Cada vez que é efectuada não se conhece antecipadamente qual dos resultados possíveis vai ocorrer.
  3. Pode ser repetida em condições análogas.

Exemplo:  O lançamento de um dado é uma experiência aleatória, bem como o lançamento de uma moeda ao ar.

 

Outro conceito que devemos definir previamente é o de Espaço Amostral.

Espaço Amostral :

É o conjunto de todos os resultados elementares, mutuamente exclusivos e colectivamente exaustivos

Exemplo : O espaço amostral do lançamento de um dado será o conjunto formado por todas as faces, em que cada uma das faces é um resultado elementar.

 

Outro exemplo é o do lançamento simultâneo de duas moedas. Os resultados possíveis serão : sair duas caras, duas coroas ou uma cara e uma coroa.

Assim o conjunto { 2 caras; 2 coroas; 1 cara e 1 coroa } formado por 3 elementos é o espaço amostral da experiência aleatória.

A qualquer subconjunto do Espaço Amostral damos o nome de acontecimento.

Para estender a definição de acontecimento pode procurar em http://surfstat.newcastle.edu.au/surfstat/main/glossary/glossary.html seleccionando E e em seguida Event ou então em http://www.stats.gla.ac.uk/steps/glossary/probability.html#event

Agora que já estão definidas as bases para o estudo de probabilidade podemos dar uma definição de probabilidade exacta.

Definição frequencista de Probabilidade :

A Probabilidade de um acontecimento, associado a certa experiência aleatória, é a frequência relativa esperada desse acontecimento, ou seja : O quociente entre o número de vezes que o acontecimento se realiza ao fim de n repetições da experiência e o número ( n ) de repetições.

Exemplo : Esta definição de probabilidade é muitas vezes usada em experiências de interesse científico em que as probabilidades são calculadas à posteriori a partir das frequências relativa, do acontecimento em estudo, num número de provas considerável.

 

Uma outra definição de Probabilidade é dada pela Lei de Laplace, mas antes de a apresentarmos devemos estabelecer em que condições é que a podemos aplicar.

Nas situações em que os vários resultados elementares possíveis são equiprováveis (têm todos a mesma probabilidade) podemos calcular a probabilidade de um acontecimento desse espaço amostral através da Lei de Laplace.

Lei de Laplace :

A probabilidade de um acontecimento associado a uma certa experiência aleatória é dada pelo quociente entre o número de casos favoráveis ao acontecimento e o número de casos possíveis.

Podemos representar isso da seguinte forma :

Seja A um acontecimento associado a uma certa experiência aleatória, cujo espaço amostral é W , tendo-se A Í W . Seja p(A) a sua probabilidade, então :

Exemplo : A probabilidade de sair face cara quando se lança uma moedas ao ar será 1/ 2 já que o espaço amostral é W = { cara ; coroa } e os resultados elementares são equiprováveis. Assim, temos número de casos favoráveis : 1- sair cara e  número de casos possíveis : 2 - cardinalidade de W

Nos problemas que requerem para a sua resolução o uso desta regra é muito útil o uso da Combinatória, para calcular o número de casos possíveis e favoráveis, sempre que não é prático escrever em extensão o espaço amostral.

Para encontrar alguns problemas e exercícios relacionados com esta lei pode consultar: http://www.ualm.es/~asalmero/relaciones/icp/node3.html

 

A equivalência destas duas definições passa por uma lei que ilustra de que modo é que a probabilidade de um determinado acontecimento vai variando à medida que o número de repetições da experiância (n) cresce para infinito.

Lei dos Grandes Números :

Quando o número de provas aumenta muito, tendendo para infinito, a frequência realtiva de cada acontecimento, associado à experiência aleatória tende a estabelizar na vizinhança de um certo valor, ou seja, converge para um limite que é a probabilidade desse acontecimento.

 

Interessa-nos agora definir as propriedades do conceito de Probabilidade, ou seja, a sua axiomática.

Considere-se uma experiência aleatória e seja W o espaço amostral dessa experiência. Seja p(A) a probabilidade do acontecimento A. Estabelecem-se três axiomas :

Destes axiomas podem ainda concluir-se outras propriedades :

p(A) <= p(B) e p( B-A) = p(B) - p(A)

p(AUB) = p(A) + p(B) - p(A Ç B)

Observação : No caso de serem acontecimentos disjuntos temos o axioma 2.

Se quiser ver as demonstrações visite a nossa página "Para ir mais além "

 

 

Nos casos em que os acontecimentos não são equiprováveis, não podemos usar a Lei de Laplace e recorremos ao estudo das frequências. No entanto, este método não é muito eficiente, pois só nos permite calcular probabilidades à posterióri, depois de observar os resultados de n experiências repetidas. ( Em que n seja um número suficientemente grande )

Tendo em atenção a lei dos grandes números já apresentada, podemos ver que se fizermos convergir as distribuições das frequências relativas, estas tendem para a função  Distribuição de Probabilidade.

Pode procurar informação adicional em http://www.stats.gla.ac.uk/steps/glossary/probability_distributions.html#prob.distn

Ou então aceder à nossa página Para ir mais além

Das funções distribuição de probabilidade podemos salientar duas:   Distribuição Normal e Distribuição Binomial.

A distribuição normal modela muitos acontecimentos da natureza, como sendo caracteristicas morfológicas e sociológicas de uma determinada população.

O seu gráfico, também conhecido como curva de Gauss, é o seguinte:

 

 

Vamos estudar com mais pormenor a Distribuição Binomial e começaremos por apresentar um exemplo.

 

Consideremos um dado equilibrado em que a probabilidade de sair cada uma das suas faces é, claro, 1/ 6 .

 

 

Consideremos o acontecimento A - sair face 3.

 

Temos p(A) = 1 / 6 . Se considerarmos AC o acontecimento complementar de A então já sabemos que a sua probabilidade será :

p(AC ) = 1 - p(A)

Assim, p(AC ) = 1 - 1/6 = 5/6

 

Vamos considerar também que se lança o dado um número, n, de vezes, por exemplo dez vezes. Interessa-nos saber qual é a probabilidade de nestas dez vezes a face 3 sair exactamente 4 vezes.

 

Queremos, então, saber qual é a probabilidade de o acontecimento A se realizar três vezes nas dez repetições. Isto quer dizer que nas restantes sete vezes se realiza o acontecimento AC .

 

Suponhamos, por exemplo, que A se verifica nos primeiros quatro lançamentos, a probabilidade de isto acontecer será :

 

 

A probabilidade de sair face 3 nos quatro primeiros lançamentos é a mesma de sair face 3 em quaisquer quatro lançamentos e sabemos da Combinatória que isso pode acontecer de maneiras diferentes.

 

Juntando toda esta informação teremps que a probabilidade de o acontecimento A se dar exactamente quatro vezes em dez lançamentos do dado é :

 

 

Generalizando, se fizermos n repetições de uma dada experiência e considerarmos um determinado acontecimento cuja prbabilidade de se realizar seja p teremos:

 

 

Exemplo :

Numa fábrica de televisores 20% dos aparelhos produzidos são defeituosos. Escolhem-se quatro televisores ao acaso de entre aqueles que a fábrica produziu naquele dia. Qual é a probabilidade de que:

 

a) Exactamente três sejam defeituosos.

b) No máximo dois sejam defeituosos.

 

a) Uma vez que 20% dos aparelhos são defeituosos a probabilidade de se encontrar um aparelho defeituoso é p = 0,2 , assim 1- p = 1 - 0,2 = 0,8 .

Por outro lado o facto de se escolherem aleatoriamente quatro televisores quer dizer que são quatro repetições da experiência, ou seja, n = 4.

 

Nesta alínea interessa-nos a probabilidade de serem três os aparelhos defeituosos, isto representa k = 3.

Desta forma :

 

R : 0,0256

 

b) Como nos interessa a probabilidade de no máximo dois aparelhos terem defeito, queremos, na realidade, calcular as seguintes probabilidades:

E, no fim, a soma destas probabilidades será o resultado pretendido.

 

 

Logo o resultado será:

 

p( Existirem no máximo 2 aparelhos defeituosos) = 0,4096 + 0,4096 + 0,1536=0,9728

 

R : 0,9728

Para além destas duas distribuições, existem muitas outras como sendo a Exponencial ou a Poisson, a Geométrica ou a Uniforme... Se tiver interesse em conhecer as suas funções distribuição ou densidade propomos-lhe várias visitas:

http://www.stats.gla.ac.uk/steps/glossary/probability_distributions.html

http://surfstat.newcastle.edu.au/surfstat/main/glossary/glossary.html

A nossa página " Para ir mais além "

 

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