O conceito de número, o processo de contagem desenvolveram-se ao longo da história da humanidade. Não é difícil imaginar como esse processo começou. Mesmo nos tempos mais primitivos, o homem já tinha uma certa noção de número, pelo menos já reconhecia quando havia mais ou menos objectos.
Com a evolução da sociedade, a simples contagem tornou-se cada vez mais importante. Uma tribo, tinha de saber quantos membros e quantos inimigos havia e o Homem achou necessário saber se o seu rebanho de carneiros estava a diminuir ou aumentar. Provavelmente, o modo de contagem mais primitivo era feito através de um método simples, utilizando o pricípio da correspondência um para um.
Na contagem dos carneiros, por exemplo, um dedo "estava" para um carneiro. A contagem poderia também ter sido feita utilizando vários processos: fazendo nós numa corda, riscos na terra ou pedra, cortes num pedaço de madeira ou de osso.
As seguintes figuras 1 e 2 foram encontradas em 1950, numa vila chamada Ishango perto do Lago Edward, Zaire. São datadas entre 9000 e 6500 a.C.
Como se pode ver, estes ossos contêm marcas. Observa atentamente as figuras.

O que é que elas te sugerem?
Segundo Jean de Heinzelin, estas marcas podem representar um jogo aritmético e os padrões sugerem que o sistema de contagem é baseado em 10 e no conhecimento da multiplicação por 2 e por números primos.
Esta é apenas uma interpretação entre muitas outras que podem existir.
Então onde é que isto nos leva?
É pouco nítido o significado que podemos atribuir a estes ossos, mesmo assumindo que as marcas tinham um significado e representavam a actividade de contagem. No entanto, com isto aprendemos uma coisa útil, nomeadamente a usar estes factos para construir os nossos conhecimentos do passado.
Nem só os artefactos arqueológicos são um recurso para conhecer a história do aparecimento dos números e dos primeiros processos de contagem. Também podemos recorrer à própria história da língua.
Que idade tem a nossa linguagem numérica?
É impossível indicar a época exacta em que surgiram os numerais, mas há provas inegáveis de que ela procedeu de vários milhares de anos a história escrita. É notável que o vocabulário dos numerais goza de extraordinária estabilidade, enquanto o tempo introduziu profundas modificações nos restantes aspectos das línguas.
Sugerimos então que compares os numerais das línguas Indo-Europeias típicas:

Porque será então que apesar de tal estabilidade não se encontrem vestígios do significado original? É admissível conjecturarmos que enquanto os numerais permaneceram inalterados desde os dias das suas origens, os nomes dos objectos concretos que lhes deram o nome sofreram profundas alterações.
No que se refere à estrutura da linguagem numérica, os dez dedos do homem deixaram por todo o universo a sua marca. Esta influência dos nossos dez dedos na "escolha" da base do sistema numérico não é uma suposição errónea. Em todas as línguas Indo-Europeias, tal como na semítica, na mongólica e na maioria das línguas primitivas a base de numeração é dez, ou seja, existem numerais independentes até dez apartir do qual se utiliza um processo de composição qualquer até se atingir cem.
No entanto, para além do sistema decimal, encontram-se razoavelmente difundidas duas ou três bases, a quinária (de base 5) e a vigesimal (de base 20).
O sistem de base cinco, surgiu entre povos que tinham o hábito de contar por uma só mão. Mas porque havia o homem de se limitar a uma mão?
Uma explicação plausível é que o homem primitivo raramente anda desarmado.
O sistema de base 20, nasceu provávelmente nas tribos primitivas que contavam pelos dedos dos pés e das mãos. Um exemplo particularmente flagrante de um tal sistema é usado pelos índios maias da América Central.
Encontram-se ainda entre as mais primitivas tribos da Australia e da África um outro sistema de numeração que é o sistema binário (de base 2). Aqueles povos ainda não atingiram a fase da contagem digital. Têm numerais independentes para um e dois e números compostos até seis. Para além do seis todo o número se designa por "muitos".
Por curiosos que isto pareça, esta base, a mais primitiva de todas, teve em tempos relativamente recentes um eminente defensor, nada mais nada menos que Leibnitz. Uma numeração binária rquer apenas dois símbolos: 0 e 1, apartir dos quais se exprimem todos os outros números como se mostra na tabela seguinte:
Decimal |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
8 |
Binário |
1 |
10 |
11 |
100 |
101 |
110 |
111 |
1000 |
Decimal |
9 |
10 |
11 |
12 |
13 |
14 |
15 |
16 |
Binário |
1001 |
1010 |
1011 |
1100 |
1101 |
1110 |
1111 |
10000 |
Existem, para além destas, muitas outras bases de sistema de contagem.
Mas enquanto o Homom contar por dezenas, os seus dez dedos lembrar-lhe-ão a origem humana desta fase extraordinariamnete importante da sua evolução mental, e o sistema decimal pode assim constituir um testemunho vivo de que:
"O HOMEM É A MEDIDA DE TODAS AS COISAS"