
Uma
eternidade não seria tempo suficiente para conseguirmos observar todo este
fractal, com os seu discos enfeitados com extremidades espinhosas, as suas
espirais e filamentos enrolando-se em todas as direcções, exibindo volumosas
moléculas infinitamente variadas.
Se
examinarmos a côr do conjunto de Mandelbrot através da janela ajustável dum écran
de computador, vemos que é muito
rica a sua complicação ao longos das diversas escalas. Uma catalogação das
diferentes imagens no seu interior ou uma descrição numérica no seu contorno
iria exigir uma quantidade infinita de informação.
O conjunto de Mandelbrot é obtido
quando submetemos os números complexos (números do tipo a + ib, em que, a
e b são números reais e i é a constante imaginária) a um
processo iterativo.
Ao aplicar este processo repetidamente, obtemos uma sequência de números un, cuja distância ao 0 (ou seja, o módulo |un|) se mantém finita ou tende para infinito.
É esta fronteira, entre o finito e o infinito que delimita o conjunto de Mandelbrot.
Como se constrói o Conjunto de Mandelbrot?
Para responder a esta pergunta, basta explicar como se atribui a cor a um número complexo a + ib qualquer, que vai ser desenhado como um ponto (a, b) no plano.
Vamos denotar por z o número anterior (a + ib).
Submete-se o número z ao seguinte processo iterativo:
![]()
em que w é um número complexo constante.
Observando o comportamento de zn+1, ou seja, do seu módulo |zn+1|, temos as seguintes possibilidades:
|zn| se mantém sempre finito - Atribui-se a cor preta a z.
Um
ponto é marcado neste fractal não quando satisfaz a equação, mas sim segundo
um certo tipo de comportamento. Um comportamento possível pode ser um estado
estacionário; outro pode ser a convergência para uma repetição periódica de
estados; e outro ainda pode ser um corrida descontrolada para o infinito.
Este comportamento de convergência para uma repetição periódica de estados é passível de ser observada e, depois, todos nos podemos interrogar se o resultado é infinito ou não.
Este comportamento assemelha-se ao processo de
feedback no mundo do dia-a-dia. Pode imaginar-se que estamos a montar um
microfone, amplificador e colunas de som num auditório - estamos preocupados
com o ruído estridente de feedback acústico. Se o microfone capta um som
suficientemente alto, o som amplificado vindo das colunas irá entrar de novo no
microfone num ciclo infinito, com um som cada vez mais elevado. Por outro lado,
se o som é baixo irá apenas desaparecendo, até deixar de ser ouvido. Para
construir um modelo para este processo de feedback poderíamos escolher um número
inicial, multiplicá-lo por si mesmo, multiplicar o resultado por si mesmo, e
assim sucessivamente, Iríamos descobrir que os grandes números conduzem
rapidamente ao infinito:10,100,10000... Mas os números pequenos levam a zero:
.