Vertente Sociológica

No desenvolvimento social ao longo das diferentes épocas, o Homem, desejando, interpretar
e actuar no mundo que o rodeia, vai fazendo evoluir de forma extraordinária o conceito de
número e os cálculos necessários para operar com esses números. Face a problemas reais da
vida real e ligados á evolução científica e tecnológica, vão-se desenvolvendo cálculos que
ultrapassam, em muito, a capacidade da memória humana e, como se pode constatar na nota
histórica que apresentamos atrás, tem-se descoberto e inventando máquinas que nos permitem,
da melhor forma, lidar com esses problemas.
Na aula de Matemática das escolas portuguesas, nos seus diferentes graus de ensino, a cal-
culadora não tem a divulgação que merece, apesar de se tratar de um instrumento que, utili-
zado de forma criteriosa e com espírito crítico, tem bastantes potencialidades educativas
ao nível da Educação da Matemática.

A Máquina Gráfica No Ensino Português

São Diversas as razões para a utilização, ou não utilização, da máquina gráfica na sala de
aula. Não se pode, no entanto, correr riscos de errar quando se diz que muitos dos argumen-
tos utilizados pelos professores de Matemática para a sua não utilização, se deve a fortes
tradições culturais desde há muito prevalecentes no ensino de Matemática extremamente en-
raizado no calculo e nas suas técnicas e que eles próprios experimentam com os alunos. este
argumento está certamente assente no facto do sistema de ensino português estar, ainda, um
pouco fechado á valorização da inovação e da formação de professores.

Discute-se a reforma curricular e dos novos programas, que coloca em evidencia também, a
discussão sobre qual o papel da máquina gráfica no ensino da Matemática. Com esta discussão,
já se fizeram alguns documentos importantes como é exemplo "A Renovação do Currículo de
Matemática", editado pela APM - Associação dos Professores de Matemática

Apresentam-se alguns argumentos que não apoiam a utilização da máquina gráfica na aula de
Matemática

- Os alunos deixam de saber fazer contas.
- Os alunos deixam de ter a percepção espacial da matemática, por exemplo, ao examinar,
de imediato, o gráfico de uma função.
- A depêndencia que a máquina transmite
- Calcula-se automaticamente sem pensar
- Os alunos confiam em absoluto nos resultados que a máquina lhes dá, sem os confirmar
mentalmente

Serão suficientemente fortes para destronar os argumento que validam a utilização da
máquina na aula de Matemática que são, alguns deles, os seguintes,

- Permite libertar o ensino e a aprendizagem da Matemática do excessivo peso do calculo
- Permite enriquecer a construção de conceitos
- Permite estimular diversas formas de raciocínio
- Diversificam-se estratégias de resolução de problemas
- Estimula a actividade matemática


Pode dizer-se que a máquina gráfica efectua , por exemplo, a maior parte dos algoritmos
(e apresenta todos os seus passos) que fundamentam um ensino com grande ênfase no de-
senvolvimento da capacidade de cáculo mas poderá não ser legítimo um aluno da actualidade
encontrar o produto de dois números de quatro dígitos ou visualizar, na máquina, o grá-
fico de uma determinada função antes de o fazer mentalmente e no mesmo tempo que levaria
um aluno de há 20 anos utilizando apenas papel e lápis? É discutível. É grave se o aluno
não consegue descortinar a ordem de grandeza entre os dois números ou se não consegue
interpretar o gráfico da função, que a calculadora gráfica lhe apresentou. É aí que vem
ao topo o papel do professor - saber conciliar as duas formas de calculo, não pondo,
nunca, de parte o cálculo mental e a representação gráfica no papel, mas esquecendo,
também, o grande instrumento de ajuda ao cálculo e incentivo á aprendizagem que a máquina
gráfica pode ser na aula de Matemática.

Concluímos então que...

O professor de Matemática não deve, quanto a nós, tornar obsoleto o papel e lápis, não
sejam estes os principais instrumentos do desenvolvimento do raciocínio nem, por outro
lado, subestimar o potencial presente na máquina gráfica como complemento a uma educação
matemática com incentivos que é, de longe, o principal ponto para uma aprendizagem com
sucesso e que, quanto a nós, é esse mesmo incentivo que falta na maior parte das aulas
de Matemática.