A TORRE DE HANÓI



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        O problema seguinte foi formulado e resolvido pelo matemático francês Édouard Lucas (1842 - 1891) em 1883, no terceiro volume da sua obra Récréations mathématiques. O problema está relacionado com um jogo que ficou conhecido como a TORRE DE HANÓI  e que consiste, muito simplesmente, num tabuleiro rectangular onde se devem fixar hastes verticais (cilíndricas e iguais), e em n discos (circulares), não havendo dois discos com o mesmo diâmetro. Cada disco tem um pequeno orifício no centro de forma a poder ser enfiado em qualquer uma das hastes. No início do jogo, todos os discos devem ser enfiados na mesma haste por ordem decrescente, ficando o maior na base da torre assim construída (cada disco pode, portanto, representar um andar da torre).

        O objectivo do jogo é transferir todos os discos  de forma a reconstruir a torre numa (qualquer) das outras hastes, obedecendo às seguintes regras :
        (i) Em cada movimento só poderá ser transferido um disco ;
        (ii) Em nenhum dos movimentos poderá o jogador colocar um disco sobre outro de menor diâmetro.

        No seu livro, Lucas conta uma história curiosa em que afirma ter conhecido o jogo da Torre de Hanói através de N. Claus, um professor de Filosofia e Cálculo no Colégio Li-Sou-Stian, na cidade de Bangkok, capital do reino indochinês do Sião. O próprio Claus terá sabido do jogo, por acaso, numa das inúmeras viagens que empreendia pela Indochina a fim de recolher informações sobre as muitas obras dispersas do genial matemático siamês Fer-fer-tam-tam. Nessa viagem, Claus teria visitado um templo riquíssimo na cidade santa de Benares - que, para os hindus, se situa no centro do mundo - e teria assim conhecido a Lenda do Fim do Mundo. Segundo lhe revelaram os cem monges do Templo de Benares, no Princípio do Mundo o deus Brahma construíra uma torre, como indicámos acima, com 64 discos de ouro puro - a que os monges chamavam a Torre de Brahma. E Brahma teria ordenado aos seus cem monges que recontruíssem a Torre numa das outras hastes, transferindo um disco de cada vez e formando em cada movimento uma torre semelhante à inicial. Quando a tarefa fosse concluída, a torre e o templo ruiriam e o mundo terminaria. Seria o Fim da Humanidade...Bom ! Para sermos mais rigorosos, será o Fim da Humanidade : a reconstrução da Torre exige 18446744073709551615 movimentos !! Um número com vinte algarismos! Consegue lê-lo? Se admitirmos que os monges efectuam um movimento por segundo (o que é bastante improvável), serão necessários 584942417355 anos para terminar o jogo, o que excede em muito o "tempo de vida" previsto para o sol. O deus Brahma foi realmente muito benevolente...

        Já vimos qual o número de movimentos necessários para terminar um jogo com 64 discos.


          QUAL O NÚMERO MÍNIMO DE MOVIMENTOS NECESSÁRIOS PARA  COMPLETAR UM JOGO DE TORRE DE HANÓI??

Se pensarmos um pouco chegamos à conclusão de que o jogo pode sempre  ser terminado (embora possa ser impossível chegar ao fim do jogo durante a nossa vida). Para isso basta usar o princípio de indução matemática. É  claro que o jogo termina quando consideramos apenas um disco. Suponhamos agora, por hipótese de indução, que um jogo com n discos (n é um natural não nulo). Então para terminar um  jogo com (n + 1) discos, bastará seguir a estratégia seguinte:

1. Transferir os n discos do topo da torre para uma haste diferente da original;

2. Mudar o disco da base (o maior) para a haste que sobra e que, nesta altura, é a única que se encontra "vazia";

3. Tranferir a torre de n discos, construída no passo 1, para a haste onde se encontra o disco maior.

Deste modo, pelo princípio de indução, o jogo tem solução qualquer que seja o número de discos considerado. Continuando o raciocínio e utilizando  o método de substituição de diante para trás chegaríamos à conclusão que o número mínimo de movimentos que são necessários para terminar um jogo da Torre de Hanói com n discos é dado por uma sucessão cujo termo geral é

                                                                                an = 2n - 1.

Muito provavelmente a maioria dos alunos conhece este jogo e certamente ficarão entusiasmados ao saber que poderão conhecer o número de movimentos antecipadamente por estudo da sucessão cujo termo geral se apresentou.

 

 

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