Um pouco de história

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Os logaritmos foram inventados por John Napier, de modo a simplificar os processos de multiplicação e divisão.

John Napier trabalhou durante 20 anos na sua descoberta. Napier reflectiu sobre o que já tinha sido publicado sobre a sucessão de potências de um número dado, em que estudou os resultados que Arquimedes tinha apresentado em "Arithmetica Integra".

Napier publicou o resultado de parte das suas investigações, num primeiro livro, intitulado "Mirifi Logarithmorum Canonis descriptio", sem contudo expor os meios que tinha empregue. Neste livro explica o logaritmo natural comparando os termos da progressão aritmética e geométrica. Ilustra também as tabelas dos logaritmos de algumas funções trigonométricas relativamente aos ângulos do primeiro quadrante.

 

Tabela de logaritmos Neperianos

 

Vejamos como Napier definiu o logaritmo. Começou por tentar manter os termos da progressão geométrica, de potências inteiras de um número dado, perto uns dos outros. Era necessário que o número dado estivesse perto de um, assim Napier decidiu utilizar,

                                         1 – 10-7 = 0,9999999

Para conseguir um certo equilíbrio e evitar o uso das casas decimais, Napier multiplicou todas as potências por  107

 

Temos então que

 Em que L é o logaritmo de Napier do número N. Considerou o logaritmo de 107  igual a zero.

Se dividíssemos tanto os números como os logaritmos por 107, obteríamos praticamente um sistema de logaritmos de base 1/e, em que

Mas, Napier não tinha a ideia de base do sistema de logaritmos, nem da importância do número e , que só um século mais tarde, com o desenvolvimento do Cálculo Infinitesimal, viu a sua importância ser reconhecida.

Embora Napier fosse o primeiro a publicar os resultados das suas investigações, também na Suíça, Jobst Bürgi desenvolveu o logaritmo de forma semelhante. Bürgi escolheu um número um pouco maior 1 + 10-4 , e em vez de multiplicar por  107  multiplicou por 108  . No entanto só publicou os seus resultados em 1620.

O rápido reconhecimento das vantagens de utilizar os logaritmos na prática deve-se a Henry Briggs. Briggs reparou que a base que Napier utilizava era inconveniente. Entrou em contacto com o mesmo, em 1616, e sugere a mudança para uma base decimal.

Napier reconheceu a melhoria introduzida por Briggs e, em conjunto estabeleceram as seguintes igualdades:

log1=0     e      log10 = 1

Napier tentou introduzir nos seus logaritmos a base 10, e concluir a sua obra em que descrevia como construiu o logaritmo, mas sem sucesso. Esta última obra foi concluída pelo seu filho e publicada em 1619, intitulando-se "Mirifici Canonis Constructio".

Briggs partindo dos estudos de Napier, começou a trabalhar no cálculo dos logaritmos, para a base decimal. Em 1617, apresentou a tabela de logaritmos dos números de 1 a 1000, calculados até à décima quarta casa decimal. Seis anos depois completou o seu trabalho anterior dando os logaritmos dos números de 1 a 20 000 e de 90 000 a 100 000.

Em 1628, o holandês Henry Vlacq, preencheu a lacuna das tábuas precedentes, publicando uma outra com os logaritmos dos números de  20000 a 90000.

Todas as tabelas foram completadas por Briggs em "Trigonometrica Britannica".

 

Napier, além de inventar os logaritmos, é considerado o precursor da Régua de cálculo

Relativamente ao resto da Europa, também outros matemáticos reconheceram a importância da descoberta de Napier, como é o caso de Keppler, que introduziu entre 1625 e 1629 as tabelas na Alemanha. Enquanto que Cavaliere e Edmund Wingate, introduziram as tabelas logarítmicas na Itália e na França em 1624 e 1626, respectivamente.

Com o surgimento da Análise Infinitesimal as potências deixaram de ser vistas apenas como o resultado de operações aritméticas passando a ser encaradas como funções. A função logarítmica está implícita na definição  de logaritmo, dada por Napier.