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A ESTATÍSTICA  «PRIMITIVA»

    À primitiva noção de estatística, descrição qualitativa das coisas e factos notáveis dos Estados (séc. XVII), sucedeu a de enumeração quantitativa de populações, produções, bens e riquezas dos mesmos Estados (séc. XVIII). No século passado dizia-se que se fazia estatística quando se contavam conjuntos numerosos ou se registavam as repetições de determinados fenómenos. A palavra estatísticas aplicava-se aos próprios quadros e tabelas onde se alinhavam os resultados dessas contagens. E como os conjuntos numerosos que se contavam eram de pessoas, e porque os fenómenos que se registavam, respeitavam à população humana, a estatística apareceu, então, como um «estudo numérico dos factos sociais», como uma «ciência que pretendia deduzir de um grande número de observações de fenómenos sociais, leis gerais aplicáveis à vida humana».

    Verificou-se, porém, ser, a maior parte das vezes, pretensiosa essa ambição. Os fenómenos sociais são de tal forma complexos que mais não se podia senão classificá-los e ordená-los em tipos característicos. Do objecto que era o conhecimento da sociedade e dos seus elementos, a estatística passou a ocupar-se do estudo de outros conjuntos numerosos e de outros fenómenos realizáveis em grande número, sempre fora da acção directa do observador, cujas causas, ou condições de realização, parecem múltiplas e complexas. Tais fenómenos chamam-se colectivos, de massa ou ainda estatísticos. Apresentam-se hoje não só na demografia mas também na física, na astronomia estelar, na economia, na antropologia, na biologia, etc.

 

 

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