Departamento de Educação   

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Posição sobre a proposta de perfil geral do professor e do educador

Esta segunda versão do perfil geral do professor e do educador contém uma explicitação de conceitos, princípios e pressupostos que valorizam o documento. A redacção das dimensões também aparece melhorada num ou noutro aspecto. No entanto, continua a parecer a este Departamento que deveria ser sublinhado com mais clareza que as 21 dimensões apontadas devem ser vistas de forma integrada e não de modo estanque.

A redacção de alguns dos princípios está longe de se poder considerar a mais feliz. Por exemplo, o “carácter cultural” como uma componente do desempenho profissional do professor ou “a centralidade da inserção dos processos educativos em contextos de qualidade” como um aspecto do desempenho profissional.

No que se refere às “dimensões” do perfil profissional proposto, evidencia-se agora de modo mais claro a importância da sua participação em actividades de pesquisa e do seu envolvimento em trabalho colaborativo (ponto 19).

Continua a parecer-nos que, no ponto 9., deveria surgir uma referência clara à responsabilidade do professor em promover o desenvolvimento da autonomia do aluno. Ainda neste ponto parece-nos reducionista falar em "técnicas de trabalho intelectual"; seria mais adequado falar em "processos de trabalho intelectual"...

No ponto 21, não se compreende porque continuam a ser esquecidas as competências sociais", ao lado das "profissionais" e "sociais".

Da análise deste documento, duas preocupações bastante sérias emergem:

(i) as 21 dimensões situam-se fundamentalmente na área dos “comportamentos observáveis”, deixando na sombra os aspectos relativos ao conhecimento e identidade profissional necessários para a sua adequada operacionalização.  Não vemos plenamente traduzido nas 21 dimensões todos os aspectos importantes indicados no pressuposto relativo ao estatuto intelectual do professor.

(ii) o modo como poderá vir a ser usado um documento deste tipo no processo de acreditação de um curso de formação inicial de professores. Na verdade, por muito que um curso tenha em grande atenção todas as dimensões indicadas, muitos factores relativos ao contexto ou dependentes do próprio percurso de vida do diplomado podem levar a que algumas delas não tenham a desejada expressão na sua prática profissional. O principal responsável por isso poderá ser o próprio Ministério da Educação, pelas deficientes condições de trabalho que proporciona aos seus docentes. Irão dessas deficiências ser responsabilizadas as instituições de formação?

Novembro de 2000
A Comissão Científica do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa